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Skincare parado na gaveta: por que você compra e não usa

Tempo pra Ela · Autocuidado possível

Quarta-feira, dez e pouco da noite, a novela acabando na sala e eu de joelhos na frente da gaveta do banheiro, procurando a pinça. Achei a pinça. Achei também, lá no fundo, atrás dos três potes abertos, um creme de noite que eu comprei animada numa promoção da farmácia e nunca abri. O lacre ainda estava lá, o plástico inteiro, mais bem conservado que qualquer outra coisa naquela gaveta. Se você tem um pote assim, fechado ou pela metade, esperando a sua vez, este texto é sobre isso: por que o skincare fica parado na gaveta e o que dá pra fazer com ele hoje, sem comprar nada novo.

Por que o skincare fica parado na gaveta

Sentei no chão do banheiro com o pote na mão e tentei lembrar do dia da compra. Lembrei direitinho. Tinha um cartaz de desconto na porta da farmácia, perto do ponto de ônibus, e o creme estava pela metade do preço. Eu peguei pensando numa noite específica: o Davi dormindo, a louça lavada, eu na frente do espelho com cinco minutos sobrando pra passar alguma coisa no rosto com calma. O creme era o começo dessa noite.

A noite não veio. Veio a louça, veio a mochila pra conferir, veio o sofá. E o pote foi indo pro fundo, empurrado pelos outros.

Fiquei pensando por que ele nunca saiu do lacre, e achei três motivos.

A propaganda mostra o produto e para aí. Ela te convence de que falta um sérum, uma máscara, um óleo novo. O que fazer com o que já está na sua prateleira, ela não ensina.

Ninguém explicou a ordem. Se ninguém te mostrou, de um jeito simples, o que vem primeiro, você passa por adivinhação ou deixa de passar. Um pote novo sem lugar certo na sequência vira um pote a mais pra decidir, e às dez da noite, cansada, é essa decisão que fica pra depois.

Comprar dá a sensação de ter começado. Quando a rotina está confusa, levar mais um produto parece que é fazer alguma coisa a respeito. A sacola chega em casa e a confusão continua do mesmo tamanho, agora com mais um pote.

No meu caso, os três juntos. Eu não sabia em que momento aquele creme entrava, nem antes ou depois de quê, e comprar já tinha me dado a sensação de ter resolvido.

O pote fechado também tem prazo

Virei o pote pra ver a validade. Vence no ano que vem. Fechado, ele segue o prazo impresso do mesmo jeito, e ficar no escuro da gaveta não aumenta esse prazo.

Do lado da validade tinha um desenhinho de potinho aberto com “12M” escrito. Li numa reportagem que alguém mandou no grupo da escola que esse símbolo diz quanto tempo o produto dura depois de aberto: doze meses, no caso. Então tem dois prazos correndo. O da caixa, que já está valendo, e o de depois do lacre, que só começa quando você abre. Vale olhar os dois nos potes da sua gaveta, porque o creme aberto há dois anos e o fechado que vence mês que vem pedem decisões diferentes.

O que já está na sua gaveta pode virar rotina

É bem possível que você já tenha em casa o que precisa pra uma rotina de pele decente. O que falta, muitas vezes, é saber em que lugar cada coisa entra.

Cada produto tem um papel: limpar, hidratar, proteger, ou cuidar de alguma coisa específica, como um sérum. Na ordem trocada, um pode atrapalhar o outro, porque o creme mais grosso, passado antes, dificulta a chegada do que vem por cima. Por isso a regra geral é ir do mais leve pro mais denso.

Três minutos pra organizar o que você tem, sem comprar nada

  1. Junte tudo num lugar só. A bancada da pia serve, a cama também. Não precisa contar nem se cobrar pelo tanto que tem. Só reúna.
  2. Separe em dois grupos: manhã e noite. De manhã, o foco é proteger: hidratante leve e protetor solar. À noite, limpeza mais caprichada e os produtos com ativo que a embalagem manda usar à noite, se você usa algum.
  3. Dentro de cada grupo, vá do mais líquido pro mais denso. Limpeza primeiro, depois tônico ou sérum, se tiver, depois hidratante. De dia, o protetor solar é o último passo do skincare, antes da maquiagem, se você usa.

Com isso, você já tem uma rotina. Os potes que sobrarem sem grupo ficam separados numa sacola, e você decide depois se entram, se os lacrados vão pra uma amiga que usa ou se saem de vez.

Se a sua noite é só você pra dar banho, lavar a louça e conferir o portão, sem ninguém pra revezar, a rotina de noite pode ser um passo só: lavar o rosto e passar o hidratante. Três passos ficam pro dia em que sobrar mais.

Se a pele arde, fica vermelha, tem espinha que não cede ou qualquer mudança que te preocupa, isso pede um dermatologista, e dá pra começar pelo posto de saúde. Aqui a gente organiza a gaveta, e a avaliação da pele fica com quem sabe.

O que o pote fechado queria de verdade

Olhando aquele creme de lacre intacto, entendi que eu não tinha comprado um creme. Tinha comprado a noite em que eu teria cinco minutos pra mim.

E querer essa noite faz todo sentido. Um tempo curto, com a porta do banheiro encostada, em que você passa alguma coisa no rosto porque quer e porque é bom, sem ser pra ninguém ver. Quando ela vier, numa terça qualquer, ajuda que o pote já esteja na frente da gaveta, à mão.

Aí pronto: tirei o creme do fundo e deixei em cima da pia, fora da gaveta. Ainda está com o lacre, e ainda não sei em que lugar da sequência ele entra. Pelo menos agora eu olho pra ele toda noite.

O próximo passo

O passo a passo completo, com o que pode ir junto e o que não pode, está em a ordem certa dos produtos de skincare. Se a dúvida é se vale trocar o que você tem por algo mais barato, tem o texto sobre skincare caro e equivalente nacional. E o creme esquecido também entra numa conta maior, a das compras pequenas que somem do mês, que aparece em pra onde vai o dinheiro.

Se você não quiser decorar ordem nenhuma, a gente tem o Cara de Rica, que monta a rotina na ordem com o que já está na sua gaveta. Se preferir fazer sozinha, os três passos ali de cima já são um começo.

Hoje à noite, abre a gaveta e tira só os potes que você não usou no último mês. Olha a validade de cada um e escolhe um só pra ir pra frente da gaveta.

E conta lá no @elasemdrama: qual é o produto mais antigo parado aí na sua gaveta?

Aline Costa, do Ela Sem Drama

Aline Costa

A Aline tem 38 anos, mora no interior da Bahia e sustenta sozinha a casa onde vive com o Davi, de 6. Ele quer saber por que o céu não cai, desenha foguete em tudo e confere o portão antes de dormir. Diz ele que é o homem da casa. Ela trabalha no balcão de uma loja de material de construção, almoça marmita no depósito e tem três potes de cominho no armário porque nunca lembra que ainda tem. A Aline é uma personagem, criada pra contar de perto o dia de quem segura a casa sozinha. Ela não escreve de quem chegou lá. Escreve do meio do caminho, com a louça na pia e o grupo da escola apitando.

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