Tempo pra Ela · Autocuidado que cabe no dia
Uma hora da manhã, e eu acordei no sofá com o pescoço torto e a tela do celular ainda acesa num vídeo sobre como dobrar lençol de elástico que eu não lembro de ter aberto. A marmita de amanhã estava na panela, em cima do fogão. A roupa do Davi separada na cadeira, a minha não. E o meu rosto do jeito que tinha chegado da rua: protetor da manhã, poeira do ônibus, o dia inteiro. Fiquei sentada fazendo a conta de quanto ia dormir se levantasse pra lavar. Lembrei que a roupa tinha ficado no varal, no sereno. Recolhi a roupa, guardei a marmita, conferi o portão duas vezes e fui deitar com o rosto do jeito que estava. Foi pensando nessa noite que saiu este texto sobre 5 minutos de autocuidado numa rotina cheia: cinco de manhã, cinco à noite, e o que fazer quando nem os cinco cabem.
Por que 5 minutos de autocuidado cabem onde 40 não cabem
A rotina que a gente vê nos vídeos foi desenhada pra quem tem quarenta minutos livres. Você tem cinco, e em alguns dias nem isso. Mas repara no que acontece quando os cinco aparecem.
Dos cinco, dois vão olhando pra prateleira tentando lembrar se o sérum vem antes ou depois do hidratante, mais um vai pensando se vale começar, já que amanhã cedo vai lavar tudo de novo. Aí sobra tempo pra passar um creme e ir dormir com a sensação de que não fez direito. O tempo não foi embora na tarefa. Foi embora na decisão.
Ouvi num programa de rádio, lavando a louça, que o que faz uma coisa virar costume é repetir, mais do que caprichar em cada vez. Faz sentido com skincare. Uma coisa pequena que acontece todo dia vira parte do dia. Uma coisa grande que acontece quando dá vira mais um item na lista do que você não conseguiu fazer, e aí pesa como cobrança.
E cinco minutos cabem no dia ruim. No dia em que você chegou tarde, em que a criança não dormiu, em que nada deu certo. Quarenta, nesse dia, não cabem.
De manhã, antes de a casa acordar
De manhã a ideia é sair de casa sem ter que pensar. São três passos, sempre os mesmos, sempre na mesma ordem.
Primeiro, limpar: água e o sabonete que você já tem, uns trinta segundos. Depois, hidratar com o hidratante que já está aberto no armário. O que você comprou pensando em começar na segunda pode esperar. Por último, proteger: protetor solar, inclusive em dia nublado e inclusive se você passa o dia perto de janela, dentro de casa ou atrás de um balcão. Se for pra escolher um passo pra nunca pular, é esse.
Se sobrar tempo, o quarto passo é sentar dois minutos com o café antes de chamar o resto da casa. Não tem nada a ver com pele, e costuma ser a primeira coisa que some do dia.
Se você acorda e já tem criança pedindo coisa e ninguém pra segurar a manhã com você, o passo que fica é o protetor. Limpar e hidratar podem ir pra noite, e a manhã continua valendo.
À noite, antes do sofá
À noite a ideia é encerrar o dia.
Primeiro, tirar o dia do rosto: maquiagem, protetor, poeira da rua, mesmo cansada, mesmo no dia em que você não passou nada. Depois, um ativo, se você usa, um só. Se você tem três potinhos com nome difícil e não sabe qual usar hoje, usa o que você usou ontem sem problema e deixa a dúvida pro fim de semana. Por último, hidratar e encerrar. Se quiser entender por que cada coisa entra naquele lugar, a sequência completa está no texto da ordem certa dos produtos de skincare.
E um detalhe que parece bobo: faz isso antes de sentar no sofá. Depois que você senta, os cinco minutos viram uma negociação com você mesma, e o sofá quase sempre ganha.
Uma da manhã: a versão de um minuto
Tem noite em que nem os cinco cabem. Pra essas, a rotina encolhe: água e sabonete no rosto, e cama. Se o hidratante estiver do lado da pia, ele vai junto. Se não estiver, fica pra manhã.
Um dia em que você só lavou o rosto conta como dia feito.
O que a gente quer, no fundo, é dormir. Dormir de verdade, sem acordar à uma da manhã no sofá com o dia ainda no rosto, e ter um pedaço da noite que seja só seu. Os cinco minutos na frente do espelho às vezes são esse pedaço. Não precisam ser mais nada. E se dormir não está dando conta do cansaço, tem um texto inteiro sobre isso em o cansaço que dormir não resolve.
Os três minutos que somem decidindo
Se você refizer a conta do começo do texto, vai ver que achar cinco minutos é a parte mais fácil. Dos cinco, três vão embora decidindo: essa ordem está certa, esses dois podem ir juntos, esse aqui é de manhã ou de noite, e por que eu comprei aquele que está fechado na gaveta há seis meses.
Essa parte a gente já contou em skincare parado na gaveta: por que você compra e não usa. Se a sua gaveta está cheia, provavelmente faltou alguém explicar a sequência, e sem sequência todo pote novo vira mais uma dúvida na pia.
É pra essa parte que existe o Cara de Rica, o aplicativo que a gente indica aqui: ele pega os produtos que você já tem e monta a ordem de uso da manhã e da noite, avisando quais não combinam entre si. Ele não substitui dermatologista nem promete pele nova. Ele deixa a decisão tomada de antemão, e os seus cinco minutos ficam inteiros pra passar os produtos. Custa R$ 29,90 e o acesso é imediato.
Se você preferir fazer sozinha, também dá: escreve a sua sequência num papel e cola no espelho. O que ajuda é não decidir de novo toda noite, com app ou com papel.
Nada aqui substitui a avaliação de um dermatologista, e o posto de saúde é por onde dá pra começar. Se você tem uma condição de pele em acompanhamento, está grávida ou usa algo receitado, a orientação de quem te acompanha vem antes de qualquer rotina de internet, inclusive desta.
Antes de sentar no sofá hoje, deixa o sabonete e o hidratante em cima da pia, do lado da escova. Se a noite acabar à uma da manhã, pelo menos eles já estão no caminho.
Na sua casa, quem ganha à noite, o sofá ou o rosto lavado? Uma palavra basta, lá no @elasemdrama.
Aline Costa, do Ela Sem Drama
